Coisas de outros tempos
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Companhia de Moçambique
A Companhia de Moçambique foi fundada em 1888, possuindo a soberania sobre uma boa parte do território deste país, numa concessão de 25 anos, pouco tempo depois alargada para o dobro.
Para além de encarregada de explorar o território, de construir vias de comunicação, quer se tratasse de linhas férreas ou de estradas, para além de escolas ou hospitais, esta empresa de cariz colonial ajudava à instalação de novos colonos e fornecia mão de obra à África do Sul.
Depois de se tornar numa sociedade, emitiu acções para o mercado bolsista, principalmente cotadas no estrangeiro, nas bolsas de Londres e Paris, e foi obrigada a manter sede em Lisboa e a possuir uma administração totalmente composta por portugueses, de entre os quais se contam Paiva de Andrada, João Serpa Pinto, Augusto de Castilho, Oliveira Martins, entre outros.
Como podemos observar, chegou a emitir moeda própria, sob a forma de libras esterlinas, em estreita ligação com o Banco da Beira. Muito mais informação sobre esta Companhia de Moçambique (e muitas imagens) pode ser encontrada neste blogue, de onde retirámos a que aqui consta.




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quarta-feira, março 09, 2005
O papel-moeda II
O escudo foi a moeda introduzida em Portugal após a implantação da República, e esteve para se chamar Luso. À data da introdução do Euro em Portugal, na sequência da adesão à moeda única pelo nosso país, existam notas de 500 escudos, de 1000 escudos, de 2000 escudos, de 5000 escudos e de 10000 escudos, valores que em grande parte se deveram à inflação, que se foi acentuando ao longo dos anos, sobretudo desde a crise petrolífera de 1973.
Não existe grande tradição em Portugal de notas de banco com valor monetário idêntico à unidade da moeda, tendo a única nota no valor de 1 escudo emitida pelo Banco de Portugal sido a de 1918, que saiu de circulação em 1929, e nem mesmo as notas de valor mais baixo (2$50, 5$00 e 10$00) tiveram maior duração.
Foram por isso mais comuns as notas de 20, 50, 100, 500 e 1000 escudos, valores mais tardiamente aumentados, como vimos acima, quando desapareceram de circulação as notas de 20, 50 e 100 escudos, substituídas por moedas.
Relembramos aqui algumas dessas notas mais comuns, começando pela nota de 20$00 de 1962, chapa 6A, com a efígie de D. António Luis de Menezes, retirada em 1978 e mais tarde substituída pela chapa 7, de 1965, com a figura de Santo António, a chapa 8, de 1977, com Garcia de Orta, e a chapa 9, de 1978, com a figura do Almirante Gago Coutinho, sendo que estas três últimas saíram de circulação em 1986.
As notas de 50$00 que aqui incluimos são a chapa 7, de 1954, com Fontes Pereira de Mello, saída de circulação em 1978, a chapa 8, com a Rainha Santa Isabel, de 1965, e a chapa 9, com a Infanta D. Maria, de 1979, tendo ambas saído de circulação em 1987.
As notas de 100$00 são as relativas à chapa 6A, com Pedro Nunes, de 1963 e saída de circulação em 1978, a chapa 7, de 1968, com Camilo Castelo Branco, retirada de circulação em 1987, a chapa 8, com Manuel Maria Barbosa du Bocage, de 1981, e retirada em 1990, en ainda a chapa 9, com Fernando Pessoa, de 1987 e que saiu de circulação em 1992.
terça-feira, março 08, 2005
O papel-moeda
A circulação fiduciária em papel teve início na China, por volta do ano 650 da nossa era, e só no século XII, principalmente na Itália, é que surgem os primeiros bancos de depósitos, os quais estarão na origem do aparecimento das notas de banco.
Em Portugal, o aparecimento do papel-moeda surgiu como forma de empréstimo interno, sob a forma de apólices, de valor nominal não inferior a 100 mil-réis, com uma taxa de juro anual de 5,1 por cento, tendo ocorrido entre 1641 e 1663, na sequência da penúria em que o reino se encontrava, tendo havido diversas desvalorizações de moeda e um aumento de impostos.
Mas foi em 1797 que começaram a ser emitidas apólices do Real Erário, ao portador, com valores entre os 20 mil e os 1200 réis, que eram pedaços de papel relativamente simples, e facilmente falsificáveis, impressos na Casa da Moeda, apólices estas que são por muitos consideradas a primeira forma de papel moeda em Portugal.
Embora o primeiro banco português tivesse sido criado no Brasil em 1808, o Banco do Brasil, em 1821 surgia o Banco de Lisboa, com funções comerciais e de emissão de dinheiro, e em 1834 o Banco Comercial do Porto, o qual tinha igualmente autorização para emitir notas bancárias. Mais tarde é fundada a Companhia Confiança Nacional, que se fundirá com o Banco de Lisboa, dando origem ao Banco de Portugal em 1846, e surgem ainda por volta dessa altura, em 1845, as caixas económicas de Lisboa e do Porto. Para combater a profusão de emissões de papel-moeda, o Banco de Portugal declara que é a única instituição com autorização para fazê-lo, embora haja diversas excepções previstas neste regulamento. Após 1850, o aparecimento de diversos bancos regionais veio trazer ainda maior confusão à emissão de papel-moeda, e só em 1889 um decreto do governo de D. Carlos estabeleceu o Banco de Portugal como única emissora.
Em 1911, depois da implantação da República, o sistema monetário foi remodelado e imposto o escudo-ouro como unidade monetária.
Mas houve diversas entidades que emitiram cédulas, desde câmaras municipais, associações industriais e comerciais, a cooperativas, mercearias, hospitais, juntas de freguesia, restaurantes, cafés, hotéis, fábricas, tabacarias, talhos, devido às dificuldades que afectaram o sistema económico.
A cédula, com origem no latim «schedula», que significa perquena folha de papel, era um título emitido para representar as moedas metálicas ou os trocos. Eram pequenos rectângulos de papel, numerados ou sem numeração, autenticados com assinatura manuscrita, carimbo, selo branco ou chancela, que apresentavam ainda ilustraçôes e a data, na sua grande maioria, e constituíam uma espécie de dinheiro de recurso, em falta da moeda oficial, normalmente devido a situações de guerra. O primeiro dinheiro deste tipo surgiu na Madeira e nos Açores, sobretudo entre a crise económica de 1891 e o fim da I Guerra Mundial.
Em 2002, com a entrada em vigor do Euro, desapareceram finalmente as notas emitidas em escudos.
Como exemplos de cédulas, temos a de 1 centavo, emitida pela Câmara Municipal da Lourinhã, sem data, 2 centavos, de Câmara Municipal de Abrantes, igualmente sem data, 2 centavos da Sociedade Mercantil Nacional, Ldª, sem data, e 5 centavos do Hospital de S. José de Arcos de Valdevez, sem data.








































