Coisas de outros tempos

Depositório de imagens (e alguns textos) de coisas várias

quarta-feira, março 16, 2005

A escrita «franceza»


O Methodo Calligraphico do Professor Pinto de Mesquita custava 40 reis em qualquer papelaria de Lisboa, e funcionava como um instrumento útil para aprender estilos de escrita, sobretudo para as meninas que, muitas vezes em casa, faziam a sua escola e aprendiam como se tocava piano. Usava-se, então a letra francêza (que aparecia ainda com a ortografia franceza ou francêsa), e dava-se algumas noções de organização de contabilidade, coisa com que as futuras donas de casa teriam que se haver, educadas que eram para esses fins e pouco mais, ou que alguns rapazes teriam que lidar em futuras profissões contabilísticas.

Mas antes instruía-se igualmente na posição correcta para escrever, onde se colocava os braços e as pernas, como se segurava na canneta, onde era mais correcto colocar o papel, o tinteiro e o mata-borrão, por onde se devia começar a desenhar a letra, como fazer traços finos e traços mais grossos.

E finalizava-se o Methodo com algumas lições de moral em francês, que o ou a aprendente deveria copiar para o caderno de linhas duplas, por exemplo, «C'ést le devoir de tous les enfants d'aimer et de respecter leurs parents et leurs supérieurs». Tempos em que a cultura francesa se impunha no nosso país e em que o inglês não possuía ainda a expressão que hoje tem.



Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com


Etiquetas: , ,

terça-feira, março 15, 2005

Cadernos escolares


Em tempos que já lá vão, quando a frequência do ensino primária obrigava à aprendizagem dos valores do regime, e na parede da sala de aula havia retratos do Presidente da República e do Presidente do Conselho de Ministros, separados por um crucifixo, havia uma certa tendência para uniformizar alguns dos instrumentos do trabalho escolar, aproveitando-se, simultaneamente, para divulgar nas crianças os já referidos valores e exaltar os sentimentos pátrios.

Quando a aprendizagem da escrita era ainda, muitas vezes, efectuada com canetas de aparo e tinteiros encaixados nas carteiras, em que era luxo apresentar-se de caneta de tinta permanente, nem sempre autorizada, aliás, os cadernos escolares tinham duas linhas para que a caligrafia ficasse certinha e ai de quem não cumprisse as regras.

Para além das linhas, os cadernos escolares constituíam um excelente meio de propaganda política, pelo que as suas capas eram aproveitadas para, através de desenhos, divulgar a Mocidade Portuguesa ou noções históricas que exaltavam determinados acontecimentos, deles dando destaque em desfavor de outros menos abonatórios da história de Portugal.
Aqui ficam alguns exemplos.

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Esta imagem foi rodada em 90 graus para permitir uma melhor leitura. Sendo a contracapa do caderno cuja capa encontramos acima, estava originariamente na posição horizontal. * Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Etiquetas: , ,